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Ressurreição

julho 19, 2021

A reencarnação era um princípio doutrinário nos primitivos arraiais cristãos

                                               “Ninguém pode ver o Reino dos Céus se não nascer de novo.”

                                          – Jesus.  (Jo., 3:1 a 12).

 

Ressurreição, do latim: “Ressurrectione” 1. Ato ou efeito de ressurgir ou ressuscitar. 2. Festa  católica comemorativa  da ressurreição do Cristo, ao terceiro dia  após  a Sua morte) 3. Vida nova; renovação; restabelecimento…

Essas são as definições acadêmicas e teológicas da palavra ressurreição, no que respeita à  sua etimologia.

Segundo o que estudamos na Codificação Espírita, a  ressurreição  supõe o retorno  à  vida  do corpo  que  morreu, o que a Ciência demonstra  ser  materialmente impossível,  sobretudo  quando os elementos  desse  corpo  estão desde há muito dispersos e absorvidos.

O corpo físico é formado por células, átomos, cuja agregação se desfaz para formar outros organismos e jamais poderiam juntar-se novamente as células e átomos que formaram determinado corpo depois de dispersos…

A ressurreição fazia parte dos dogmas judaicos, mas os judeus não possuíam noções  definidas  e claras sobre ela.  Não entendiam como se processava a ligação da Alma com o corpo físico. Eles acreditavam que um homem que viveu podia reviver, sem se inteirarem com precisão  da  maneira pela   qual  o  fato  podia  ocorrer;  designavam  pela   palavra ressurreição  o  que  o  Espiritismo  mais  judiciosamente  chama reencarnação.

Aliás, a reencarnação era um princípio doutrinário nos primitivos arraiais cristãos dos três  primeiros séculos após o advento do Cristo.

A partir do  século  III,  no  império   de Constantino,  quando o Estado Romano se aliou à  religião  cristã primitiva,  dando  origem  ao  catolicismo   hodierno,  é  que  a palavra reencarnação foi substituída pela palavra ressurreição.

Isto aconteceu pelo fato de a Rainha Theodora não concordar que poderia renascer na condição de humilde serva ou  escrava. Daí sugeriu ao imperador Constantino que opinasse junto  às  lideranças  religiosas para eliminar  o  princípio  da reencarnação  dos  dogmas que fariam parte  do  catolicismo,  que passaria a ser a religião oficial do estado de Roma. Assim, a solução foi mudar o termo  e  o sentido,  passando  a  reencarnação  a  chamar-se   ressurreição, substituindo-se   assim o lógico-científico pelo absurdo-conveniente, porém, mais adequado aos interesses subalternos  que estimulariam  a  noção da unicidade da  existência,  relegando  a humanidade a um atraso de quinhentos anos.  E, por isso mesmo, até hoje, muitas  pessoas  não conseguem  entender e aceitar a reencarnação, imersas  ainda  num medieval  caldo anticultural,  equivocando-se,  lamentavelmente, quanto ao que diz respeito a um dos mais brilhantes mecanismos da Justiça Divina… O diálogo de Jesus com Nicodemos, porém, não deixa margens a dúvidas… O  mestre israelense, perplexo,  perguntou  a Jesus: “como pode nascer um homem que já está velho?   Pode  ele entrar no ventre de sua mãe, para nascer uma segunda vez?”  (Jo., 3:1 a 12).

Jesus lhe respondeu: “em verdade, em verdade vos  digo: se um homem não renascer da água e do  Espírito,  não pode entrar no Reino dos Céus”.

Os líderes religiosos primitivos entenderam que o termo “água” empregado por Jesus referia-se ao batismo pela água,  quando  na  verdade essa “água” a que  Jesus  Se  referiu, simbolizava  o corpo físico adulto que é constituído de mais de  70%  de água, enquanto que no feto a quantidade de água passa dos 96%.

Nicodemos, perplexo e ignorante, pergunta: “como isso pode se dar?!”

Jesus lhe disse: “és mestre em Israel e não sabes dessas coisas? Se não me credes quando vos falo das coisas da Terra, como me crereis quando vos falar das coisas do Céu?”

A perplexidade de Nicodemos ainda é a perplexidade de muitos “mestres” que não compreendem ainda  quão absurdo é o conceito da ressurreição e quão lógica a realidade da reencarnação…

No Evangelho de Marcos, capítulo nove, versículos  onze a treze, temos – também – outra demonstração  de tal  realidade,  quando Jesus informa de  maneira  explícita  que Elias   esteve   reencarnado   na   figura   de   João   Batista, sendo degolado, pagando,  assim, a dívida que fizera  quando  era Elias e mandara degolar os sacerdotes de Baal…

A  ressurreição, entendida como o  retorno  à vida a um corpo morto é uma derrogação das Leis Divinas sábias e perfeitas.

A  reencarnação será, então, a porta  sempre aberta  ao “filho pródigo” que, mercê da Justiça  Divina,  poderá corrigir os seus equívocos até atingir a perfeição, sendo  lógica e racional.

Pela reencarnação e não pela ressurreição, o Espírito será aformoseado, e, pleno  de alegrias  e  esperanças, marchará  através das sendas evolutivas, vencendo  os  empecilhos com absoluta confiança na Justiça Divina.

Compreendendo magistralmente a reencarnação, escreveu  O. Costa Filho em sua “Cantiga incompleta” ( pág. 58): não podes ressurgir os corpos perecidos,/  Mas podes devolver-me os sonhos já perdidos”.                                                                                                                 

Rogério Coelho

 

Nota do editor:

Imagem ilustrativa e em destaque disponível em <http://blog.canoro.com.br/o-que-e-reencarnacao-e-como-ela-acontece/>. Acesso em: 19JUL2021.

Rogério Coelho
Rogério Coelho

Rogério Coelho nasceu na cidade de Manhuaçu, Zona da Mata do Estado de Minas Gerais onde reside atualmente. Filho de Custódio de Souza Coelho e Angelina Coelho. Formado em Jornalismo pela Faculdade de Minas da cidade de Muriaé – MG, é funcionário aposentado do Banco do Brasil. Converteu-se ao Espiritismo em outubro de 1978, marcando, desde então, sua presença em vários periódicos espíritas. Já realizou seminários e conferências em várias cidades brasileiras. Participou do Congresso Espírita Mundial em Portugal com a tese: “III Milênio, Finalmente a Fronteira”, e no II Congresso Espírita Espanhol em Madrid, com o trabalho: “Materialistas e Incrédulos, como Abordá-los?” Participou da fundação de várias casas Espíritas na Zona da Mata Mineira.

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