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A Lei de Sociedade

outubro 2, 2021

O Livro dos Espíritos traz as informações da espiritualidade acerca das Leis Morais no seu Livro Terceiro, dentre elas a Lei de Sociedade, especificamente tratada no capítulo 7.

De acordo com a resposta dada à questão 766, a vida social está na natureza, uma vez que o ser humano foi criado para viver em sociedade. Os espíritos que trouxeram esse primeiro livro da codificação até citam que “Deus não deu inutilmente ao homem a palavra e todas as outras faculdades necessárias à vida de relação.”. Daí querer-se dizer que temos toda a estrutura social, cerebral, e comunicativa necessárias à nossa interação com os demais indivíduos.

Continuando o ensinamento, os benfeitores espirituais nos dizem que o isolamento absoluto é contrário à lei natural, e que todos devemos concorrer para o progresso da humanidade, ajudando-nos mutuamente, conforme se denota da resposta à pergunta 767 de O Livro dos Espíritos.

Mas não é só isso. A espiritualidade também traz um alerta, no sentido de que “o homem deve progredir; sozinho, ele não o pode porque não tem todas as faculdades; é-lhe preciso o contato com os outros homens. No isolamento, ele se embrutece e se debilita.” – resposta à questão 768.

Allan Kardec, ao comentar a resposta transcrita acima, elucida que “nenhum homem tem as faculdades completas; pela união social, eles se completam uns pelos outros para assegurar seu bem-estar e progredir. Por isso, tendo necessidade uns dos outros, são feitos para viver em sociedade e não isolados.”.

Dando continuidade, e sempre no seu estilo característico, o mestre de Lyon questiona a espiritualidade na segunda parte da pergunta 770 sobre ser meritório o retiro imposto a si mesmo. Como todas as Leis Morais estão entrelaçadas e se complementam, a resposta obtida vai no sentido de que “fazer mais de bem do que se faz de mal, é a melhor expiação. Evitando um mal ele (a individualidade) cai em outro, uma vez que esquece a lei de amor e de caridade.”.

Portanto, saber viver em sociedade, interagindo harmoniosamente com as demais criaturas e, dessa forma, contribuindo para o desenvolvimento e evolução de todos e do planeta – através da disseminação das nossas habilidades, virtudes e conhecimentos –, é um dos modos basilares de estarmos inseridos e fazendo cumprir a Lei de Amor e de Caridade.

O orientador espiritual Emmanuel bem sintetiza esse pensamento no livro Roteiro, precisamente no capítulo 32, intitulado Colaboração, assim ensinando:

“Um casaco inexpressivo é fruto do esforço conjugado do fio, do tear, da agulha e do alfaiate, solucionando o problema da vestidura.

Assim como acontece na esfera das realizações materiais, a Nova Revelação convida-nos, naturalmente, a refletir sobre a função que nos cabe na ordem moral da vida.

Cada criatura é peça significativa na engrenagem do progresso.

Todos possuímos destacadas obrigações no aperfeiçoamento do Espírito.

Alma sem trabalho digno é sombra de inércia no concerto da harmonia geral.

Cérebros e corações, mãos e pés, em disponibilidade, palavras ocas e pensamentos estanques constituem congelamento deplorável do serviço da evolução.

A vida é a força divina que marcha para adiante.

Obstruir-lhe a passagem, desequilibrar-lhe os movimentos, menoscabar-lhe os dons e olvidar-lhe o valor é criar aflição e sofrimento que se voltarão, agora ou mais tarde, contra nós mesmos…”.

Diante de todo o exposto, é preciso ser considerado que somos criaturas sociais e sociáveis, que vivemos e devemos viver de forma gregária, por ser esse um determinismo divino.

A razão disso está nas respostas às questões de O Livro dos Espíritos citadas e transcritas anteriormente, eis que, vivendo em sociedade e nos ajudando mutuamente, asseguramos o bem-estar de todos e disseminamos as nossas habilidades, virtudes e conhecimentos, concorrendo para o desenvolvimento, para o progresso seguramente mais rápido da humanidade e do planeta.

Por fim, cabe-nos trazer mais uma lição do espírito Emmanuel, posta no capítulo 18 (Sociedade) do livro Pensamento e Vida, no sentido de que “em todas as épocas, a sociedade humana é o filtro gigantesco do espírito, em que as almas, nos fios da experiência, na abastança ou na miséria, na direção ou na subalternidade, colhem os frutos da plantação que lhe é própria, retardando o passo na planície vulgar ou acelerando-o para os cimos da vida, em obediência aos ditames da evolução.”.

Assim, que possamos bem viver em sociedade, que consigamos nos respeitar e tolerar mutuamente, que saibamos coexistir. Acima de tudo, que tenhamos plena consciência de que as nossas habilidades e talentos individuais, quando somados às aptidões e capacidades das demais criaturas, formam um conjunto que objetiva a nossa evolução – individual e coletiva – infinitamente mais rápida. Essa é uma das maneiras mais básicas de nos inserir e de fazermos cumprir a Lei de Amor e de Caridade, como dito alhures.

Renato Confolonieri

Nota do editor:
Imagem ilustrativa e em destaque disponível em <https://espiritaonline.com/mensagens/>. Acesso em: 02OUT21.

Renato Confolonieri
Renato Confolonieri

Atuante no Espiritismo há 20 anos, participou por três anos e meio da entrega de sopa no Grupo Fraterno de Assistência Nossa Casa em São Paulo, articulista no periódico Ação Espírita e Membro de Reuniões Mediúnicas no Grupo Espírita Jesus de Nazaré, ambos de Marília, interior de SP.

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