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Adesão mental e o umbral

novembro 17, 2022

O tão falado umbral no Espiritismo foi também definido na obra “Memórias de um Suicida” de Yvonne do Amaral Pereira, em que um espírito suicida chamado Camilo Cândido Botelho relata detalhadamente os resgates aos suicidas realizados pelos servos de Maria de Nazaré. É uma obra espetacular. Vejamos parte da definição de Yvonne que aparece na nota de rodapé nessa obra: 

Após a morte,  antes que o Espírito se oriente,  gravitando para o verdadeiro “lar espiritual” que lhe cabe, será sempre necessário o estágio numa “antecâmara”, numa região cuja densidade e aflitivas configurações locais corresponderão aos  estados vibratórios e mentais do recém desencarnado. Aí se deterá até que seja naturalmente “desanimalizado”, isto é, que se desfaça dos fluidos e forças vitais de que são impregnados todos os corpos materiais…’

Yvonne chama umbral de antecâmara, onde o espírito elimina seus fluidos vitais, que são os que dão vida ao corpo animal e que do qual numa morte natural o espírito já teria se desfeito, tendo uma passagem mais suave e resignada para o além, correspondendo a estados vibratórios e mentais menos vinculados à matéria. Os espíritos podem permanecer no Umbral horas ou anos, às vezes reencarnando imediatamente sem atingirem a Espiritualidade.

Mais além, nesse mesmo parágrafo citado, Yvonne explica que no caso de suicídio, os espíritos trazem “carregamentos avantajados de forças vitais animalizadas” sofrendo muito com isso, repetindo infinitamente a cena de seus crimes pelo tempo que deveriam ter estado reencarnados e que acabaram por encurtar, além de sofrer pelas bagagens negativas que já carregavam sem o suicídio. Nestes casos as preces caritativas dos entes queridos e dos servos de Maria são a salvação.

André Luiz, na obra “Nosso Lar”, pela psicografia de Chico Xavier, foi considerado um suicida indireto, pois não cuidou de seu corpo físico nem alimentou sua alma com a melhora moral durante a sua encarnação. 

Lísias, que era um espírito mais evoluído, auxiliava André definindo o umbral:

O Umbral … começa na crosta terrestre. É a zona obscura de quantos no mundo não se resolveram a atravessar as portas dos deveres sagrados, a fim de cumpri-los, demorando-se no vale da indecisão ou no pântano dos erros numerosos…O Umbral funciona, portanto, como região destinada a esgotamento de resíduos mentais; uma espécie de zona purgatorial, onde se queima a prestações o material deteriorado das ilusões que a criatura adquiriu por atacado, menosprezando o sublime ensejo de uma existência terrena.

Vemos então, que no umbral somos obrigados por nossa própria consciência culpada a voltarmo-nos para dentro e refletir o quanto erramos, o quanto nos iludimos, sofrendo muito devido ao mundo mental que ajudamos a construir desde muitas reencarnações, em que sempre estivemos deliberadamente descumprindo a Lei do Amor. 

Observemos que Lísias salienta que o Umbral começa aqui na Terra, ou seja, nós somos habitantes de um Umbral de encarnados, e como tal, o ideal seria aproveitarmos bem esta oportunidade e combatermos disciplinada e persistentemente as nossas más tendências. E qual o roteiro? O Evangelho de Jesus.

Na questão 778 de O Livro do Espírito, Kardec pergunta aos Espíritos se o homem pode regredir para o estado natural, ou primitivo, e eles respondem que não, pois existe a Lei do Progresso criada por Deus, ou seja, todos nós estamos progredindo sempre, ou no máximo estacionamos. 

Logo, não existem penas eternas, e vai chegar um momento em que o espírito sofrido é transferido do Umbral para uma região de refazimento, para uma colônia espiritual.

André Luiz, em Nosso Lar, narra o exato momento em que há a sua adesão mental, dando sinais sólidos de que iniciou sua regeneração:

“Ah! é preciso haver sofrido muito para entender todas as misteriosas belezas da oração; é necessário haver conhecido o remorso, a humilhação, a extrema desventura, para tomar com eficácia o sublime elixir de esperança. Foi nesse instante que as neblinas espessas se dissiparam e alguém surgiu, emissário dos Céus. Um velhinho simpático me sorriu paternalmente. Inclinou-se, fixou nos meus os grandes olhos lúcidos e falou:

-Coragem, meu filho! O Senhor não te desampara”

Era Clarêncio, que surgiu como uma luz e resgatou-o para uma vida nova, que ele desconhecia existir. Que maravilha! O que seríamos sem Jesus!

É consolador saber que não estamos sós. É consolador saber que nossas preces são ouvidas por Deus e seus prepostos, quer estejamos encarnados ou desencarnados. É consolador saber que ainda há tempo, que estamos aqui, encarnados, podendo construir um novo futuro.

A nossa nave Terra ainda sofre com o nosso orgulho, vaidade e egoísmo. Mas isso também passa.

Temos muitas pessoas no esforço da regeneração, e muitos espíritos evoluídos, como Emmanuel que estão já reencarnados ou  estarão reencarnando para acelerar o processo de regeneração.

Então, que aproveitemos o tempo que temos aqui, vigiando nossos pensamentos, refletindo, usando a fé raciocinada para dissolver o nosso orgulho, nossa vaidade e nosso egoísmo para que quando desencarnarmos, parte, pelo menos, desses fluídos mentais deletérios já se encontrem purificados. Assim poderemos alçar voos mais altos na espiritualidade.

Vimos que André Luiz muito sofreu até que sua consciência despertasse, mas ele não sabia da Doutrina Espírita, mas nós sim. Resta-nos então, a vontade determinada e o Evangelho de Jesus na prática. Avante, irmãos.

Maria Lúcia Garbini Gonçalves

Nota do editor:
Imagem ilustrativa e em destaque disponível em <https://kardecriopreto.com.br/por-que-andre-luiz-ficou-8-anos-no-umbral-se-aparentemente-ele-nao-nada-tao-grave/>. Acesso em: 17NOV2022.

Maria Lúcia Garbini Gonçalves
Maria Lúcia Garbini Gonçalves

Tradutora, mora em Porto Alegre/RS, estudante da Doutrina Espírita, trabalha no Grupo Espírita Francisco Xavier como médium.

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