
A última foto
Viver é mais que respirar. É sentir, aprender, corrigir, desenvolver, expandir, desafiar, transformar. É extinguir sentimentos negativos, ampliar virtudes, com objetivo de evoluir espiritualmente através do realinhamento da alma com o Criador.
Fazemos isso o tempo todo, ou deveríamos fazê-lo. Sendo a encarnação finita, enquanto mergulhados na carne recebemos oportunidades a serem aproveitadas, as quais, por descuido nosso, podem tornar-se chances evolutivas desperdiçadas. Aí, um dia chegar-nos-á a morte e, até alcançarmos a perfeição voltaremos à encarnação, renascendo quantas vezes forem necessárias para alcançar o progresso espiritual.
Os espíritas preferem falar ‘desencarnar’ ao invés de morrer, pois quem se desintegra é o corpo e quem deixa de existir é o personagem que fomos enquanto vestidos de carne – união da matéria com o espírito. Todavia, a vida permanece existindo: liberta-se a alma enquanto a matéria que do pó veio, ao pó retorna.
Por desconhecimento ou falta de compreensão racional do processo de desencarnação, muitas pessoas evitam pensar e falar no assunto, como se, assim, o momento fatal tardasse ou nunca chegasse. Ledo engano. Não importa se hoje ou amanhã, se daqui um ano ou 10, a morte virá. Enquanto o processo de destruição material acontece, o ser espiritual liberto segue na estrada que escolheu trilhar – do bem ou do mal que semeou.
Ninguém morrerá mais rápido porque tem consciência do fim da existência carnal. Isso vale para nós e para os outros, e isso é importante dizer, pois talvez, para alguns, seja mais fácil pensar na própria morte do que na daqueles a quem amam, permanecendo despreparados para o momento final.
É preciso ter pés no chão para lidar com a vida da melhor maneira e quanto mais certeza houver de que ela acabará, mais a aproveitaremos, seja por uma melhor escolha da bagagem que queremos levar, seja pelos sentimentos e conhecimentos que buscamos adquirir enquanto vivos.
Independente disso, é só questão de tempo, o certo é que um dia chegará a nossa vez de dar adeus a quem conviveu conosco. E, sem perceber, teremos tirado a última foto, dito a última palavra, dado o último sorriso, ofertado o último perdão, consumido o último suspiro. Simples assim!
A vida na Terra é, para os espíritos nela encarnados, um educandário, um hospital, uma penitenciária. O Espiritismo explica que, seja qual for a nossa necessidade evolutiva na encarnação terrena – aprender, curar, reabilitar-se, um dia, teremos aprendido o que deveríamos aprender, curado nossas enfermidades morais e cumprido o tempo de uma existência de expiações. E nesse dia a morte, amiga das almas culpadas, virá nos libertar.
Com esse entendimento, fica mais fácil ver no “desencarnante”, alguém que nos deixa saudades, ou no caso da própria partida, o fim de mais uma etapa na nossa jornada espiritual. Conscientes da imortalidade, não nos entristeceremos mais, pois a morte é libertação e estaremos preparados para ela. Em paz, lembraremos da última foto e tudo mais. Haverá uma vida inteira de memórias para manter o coração aceso e quente até o reencontro daqueles que se amam.
Dar adeus não é sinônimo de desamor, é apenas um ‘até breve’, pois, a vida, ah a vida não tem fim!
Vania Mugnato de Vasconcelos
Veja também
Ver mais
“O sal da terra e a luz do mundo”

Evita a tentação, com vigilância e oração!

