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A propósito do verbo Agradecer

julho 3, 2024

Um dos mais instrutivos capítulos da obra O Evangelho segundo o Espiritismo se intitula Pedi e obtereis, uma visão única e objetiva sobre a forma como devemos nos relacionar com Deus por intermédio das orações.

De modo geral, o crente se preocupa em solicitar ao Pai tudo que imagina ser útil e necessário para a condução de sua própria vida material, concentrando sua atenção no pedir, esquecendo-se, muitas vezes, de que deveria também exercitar outras duas propostas, quando se dirige, pela oração, ao Criador: o agradecimento e o louvor.

Entretanto, mesmo aqueles que não se esquecem do agradecimento, se concentram em identificar os recursos materiais indispensáveis para sua sobrevivência bendizendo o Criador pela possiblidade de usufruí-los, enquanto tantos não desfrutam destas dádivas, ou seja, agradecem: o alimento que não falta à mesa, o vestuário que aquece do frio, a casa que oferece abrigo das intempéries, a posse do veículo que possibilita o transporte para exercer as muitas atividades, o dinheiro na bolsa ajudando a fazer face aos variados compromissos financeiros – contas de energia, gás, água, plano de saúde… Feitos estes agradecimentos, sentem-se quites com suas consciências.

Por outro lado, esquecem-se de agradecer a Deus quando: o dinheiro está escasso e as contas se acumulam, o emprego não se apresenta, a saúde não vai bem, isto é, em situações desagradáveis de dor, de sombra, em situações agressivas, pois estas representam testes para o fortalecimento da fé, resignação e submissão ao Magnânimo. Afinal, tanto as ocorrências felizes, quanto as de nosso ponto de vista, infelizes, são todas justas e ocorrem em decorrência da lei de causa e efeito, estando Deus ciente de todas elas.

Contudo, esta forma de ser grato ao Criador – considerando apenas os recursos materiais presentes ou ausentes em nossas vidas -, representa apenas a ponta do iceberg neste ainda ignorado processo de reconhecimento a tudo que nos é ofertado por Ele, afinal tudo Lhe pertence, somos apenas mordomos das muitas dádivas materiais que nos cercam.

Existe um aspecto da vida que não é bem entendido ou, se o é, não motiva a criatura a expressar sua gratidão: é o agradecimento pessoal demonstrado pelo exemplo!

A mais significativa forma de reconhecer o amor do Criador a todas as suas criaturas se dá pela forma como nos conduzimos no dia a dia, ou seja, pelo exemplo ou testemunho, isto é, a gratidão moral.

Essa desconhecida modalidade de agradecimento se materializa quando não: mentimos, furtamos o próximo, usamos de nosso poder temporário para humilhar os que estão sob nosso comando, maltratamos os animais irracionais e a Natureza, desperdiçamos os recursos materiais que estão sob nossa provisória guarda, mantemos a tranquilidade operosa diante dos muitos contratempos do cotidiano, buscamos a saúde espiritual, cuidamos do corpo físico – ferramenta de trabalho do Espírito quando reencarnado, observamos os direitos alheios.

A propósito, guardar a fé no futuro, na misericórdia e justiça divinas, são formas de agradecimento.

É de pouca valia repetirmos continuados agradecimentos pelos recursos materiais que desfrutamos, enquanto: agimos de modo preconceituoso na sociedade, divulgamos fake News sem nenhuma cerimônia, dirigimos nossos veículos como loucos e, quando envolvidos em acidentes, negamos tudo: não havia bebido, não estava em velocidade acima da permitida, não estava fazendo racha. Há incontáveis modos de negar, pelas nossas atitudes diárias, as orações que realizamos periodicamente nas diversas instituições religiosas às quais nos afeiçoamos ou mesmo em nosso lares.

Existe uma multidão de formas pelas quais podemos expressar a nossa gratidão a Deus que passam despercebidas e, de fato, são estas as que mais valem, maior peso possuem, pois traduzem, ao longo da existência, o nosso entendimento e a consequente prática das leis que julgamos serem justas, o melhor meio de demonstrarmos gratidão ao Criador: cumprir os deveres, principalmente os morais, pelos exemplos e testemunhos.

Rogério Miguez

Rogério Miguez
Rogério Miguez

Trabalhador da Doutrina Espírita desde a Mocidade, tendo atuado no estado de Rio de Janeiro em algumas Casas e, atualmente, em São José dos Campos/SP nos Centros Amor e Caridade, Jacob e Divino Mestre. Colabora em Cursos, Exposições, Atendimento Fraterno e Passes, sendo articulista dos periódicos Reformador e Revista Internacional de Espiritismo.

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