
Leitura e conhecimento
“Quem mal lê, mal ouve, mal fala, mal vê.”
(Monteiro Lobato)
Militando, como todos nós estamos, numa doutrina que tem por mandamento o amor e a instrução, deveria ser redundância tratar da importância da leitura, mas, ante os fatos, cabe sempre voltar ao assunto.
A pouca leitura nos traz, por consequência, a pouca instrução, o pouco conhecimento. Como, então, adquirir esse conhecimento e desenvolver o intelecto? Ouvir e assistir quem, supõe-se, já fez essa leitura por nós, é sempre perigoso. Quando assistimos uma palestra ou ouvimos alguém falar sobre um assunto, principalmente quando tratamos desta doutrina, em geral, ouvimos delas a interpretação que elas têm daquilo que absorveram da leitura que fizeram.
Essa interpretação, quando não tendenciosa, é fruto de quem é aquele espírito antes da encarnação e do que ele é e viveu na presenta vida, o famoso fruto do meio, ou seja, suas conclusões daquele estudo vão desde o seu grau de evolução moral e intelectual até a formação educacional, valores familiares, inclinações político-partidárias, condição social e econômica, entre outros fatores que nos influenciam durante a vida.
Daí a importância de, nós mesmos, nos voltarmos para a leitura e adquirirmos, por nós mesmos tais conhecimentos. A instrução e o desenvolvimento intelectual não são coisas que se terceirizam. Precisamos disto como o corpo precisa de alimento e assim como não devemos nutri-lo insuficientemente ou com coisas inapropriadas assim também deve ser com as escolhas que fazemos no momento da leitura.
No caso da Doutrina Espírita, a receita é até simples. Sigamos primeiramente a sua base, comecemos pelo alicerce da codificação. Tudo o que se construiu depois tem ou deveria ter essa sustentação. É claro que, nesse caso, acompanhar um estudo em grupo pode, sim, tornar a experiência muito mais rica, visto que teremos diferentes níveis de interpretação e essa troca muito nos acrescenta.
Com a base estruturada fica até mais fácil escolher as obras seguintes porque conseguimos, então, selecionar aquelas que não fogem da doutrina científica e filosófica tão bem estruturada por Kardec. Essa escolha é fundamental para fugirmos do mesmo problema de terceirização para palestrantes porque assim acontece também nos livros. Autores diversos, impulsionados por editoras que são empresas que precisam de vendas e lucros, prestam-se a escrever o que mais chama a atenção do potencial consumidor e o livro passa a ser, em vez de fonte de conhecimento e instrução, produto comercial para a geração de renda e riqueza.
Não fujamos da nossa construção pessoal, ganhando a musculatura intelectual necessária à nossa evolução, mas, sejamos criteriosos nas escolhas que fazemos, para que possamos desenvolver nossas próprias ideias, que mais ou menos acertadas, serão ainda melhores do que acreditarmos no que os outros no dizem.
André Tarifa
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