
Prisão coarctadora e prisão libertadora
Ser prisioneiro do Cristo é ser o vexilário da liberdade
“Desatai-o e deixai-o ir...”
– Jesus (Jo., 11:44)
A priori pode parecer pleonasmo falar-se em prisão coarctadora e, por outro lado, paradoxo, falar-se em prisão libertadora. Sem embargo, ambas existem…
Lázaro, por exemplo, encontrava-se encerrado na prisão tumular, quando Jesus o libertou, deixando-o ir-se, sob a perplexidade de todos, para os braços amorosos e aconchegantes de Marta e Maria, suas diletas irmãs.
Ele continua a libertar as Almas, tirando-as da escura cela da ignorância, trazendo-as para a luz do Conhecimento e do Amor…
O homem não se encontra coarctado apenas nas prisões construídas para esse fim. Existem os prisioneiros de si mesmos! E é grande o número desses. Sofrem sob o guante da autoflagelação voluntária em várias formas de injunções carcerárias.
A Lei de Causa e Efeito pode ser a carcereira ou a libertadora de cada um de nós, estando, obviamente, uma ou outra dessas situações vinculadas ao livre-arbítrio, vez que ensinou o Mestre Maior, sem ambiguidade alguma: “a cada um será dado de acordo com as suas obras“. (Mt., 16:27).
Os trânsfugas do dever, mentores de delitos, retornam ao corpo somático em regime de constrições, em exercício para uma vida enobrecida: o remorso, a paralisia, a idiotia, a soledade moral, a frustração afetiva, as doenças crônicas, os defeitos congênitos, os acidentes de percurso, são os algozes que contratamos em vidas passadas de despautérios para corrigir-nos a rota desviada da programação Divina.
Embora milhares de criaturas possam transitar livremente pelas ruas, em liberdade aparente, são intimamente prisioneiras de graves limitações. O próprio corpo físico – por mais perfeito que seja – limita superlativamente o Espírito em suas potencialidades transcendentes.
Incontáveis criaturas penam algemadas à ignorância, à limitação psíquica e orgânica, ao pessimismo, à bacilose contagiante, à vaidade, ao orgulho, ao egoísmo avassalador, em sonhos quiméricos e ilusórios, devaneios que, pela sua irrealidade, jamais se concretizam, frustrando-lhes os mais caros anelos… Outras, nefelibatas, nunca estão com os pés no chão da realidade, vivendo em clima de limitação.
Sócrates sentia-se livre mesmo dentro da prisão, porque tinha noção de que a liberdade deflui das próprias conquistas e convicções harmonizadas com as leis divinas.
“Busca a Verdade e a Verdade te libertará”, conceito divino que nos leva a raciocinar que a mentira, a ilusão, as quimeras, serão sempre prisões nas quais cairemos todas as vezes que fizermos ouvidos moucos aos preceitos legados por Jesus Cristo à humanidade…
Portanto, se desejamos alforriar-nos em definitivo, livrando-nos dos grilhões limitadores, devemos – na caminhada evolutiva – buscar sempre a Verdade, incorporando-a em nosso cotidiano, seguindo as pegadas d`Aquele que é “o Caminho, a Verdade e a Vida”: Jesus!…
A condição de prisioneiro que podemos almejar é a mesma em que Paulo, o Vidente de Damasco se realizou, declarando com ufania e convicção aos efésios (3:1): “sou prisioneiro do Cristo”. E, emboscando-O no peito, escreveu, em transportes de júbilo, aos gálatas (2:20): “vivo não mais eu, mas Cristo vive em mim.”
Ser prisioneiro do Cristo é ser o vexilário da liberdade, eis tudo!
Rogério Coelho
Nota do editor:
Imagem ilustrativa em destaque disponível em <https://www.holyfamilywhitby.ca/sermons/encounter-with-the-resurrected-christ/ >. Acesso em: 29JUL2021.
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