
Afinidade e sintonia
Agimos e reagimos uns sobre os outros através da energia mental
“Influem os Espíritos em nossos pensamentos e em
nossos atos muito mais do que imaginamos,
vez que, de ordinário, são eles que nos dirigem.”
– O Livro dos Espíritos – q. 459
Academicamente podemos definir a palavra “afinidade”, do latim “affinitate” como: relação, semelhança, analogia, coincidência de gostos ou de sentimentos… Já a palavra “sintonia” significa: acordo mútuo, harmonia, reciprocidade, ajuste de frequências…
Trazendo esses conceitos para o campo da mediunidade, verificamos que “sintonizaremos” mais facilmente com os encarnados e desencarnados com os quais guardamos “afinidades”, numa influenciação recíproca sadia ou não, dependendo aí dos ingredientes morais de cada um.
Segundo o nobre instrutor Albério (1) “(…) somos vastíssimo conjunto de inteligências, sintonizadas no mesmo padrão vibratório de percepção, integrando um Todo, constituído de alguns bilhões de seres, que formam, por assim dizer, a humanidade terrestre.
(…) Dependendo dos nossos semelhantes, em nossa trajetória para a vanguarda evolutiva, à maneira dos mundos que se deslocam no Espaço, influenciados pelos astros que os cercam, agimos e reagimos uns sobre os outros, através da energia mental em que nos renovamos constantemente, criando, alimentando e destruindo formas e situações, paisagens e coisas, na estruturação dos nossos destinos.
(…) Do conjunto de nossas ideias, resulta a nossa própria existência. (…) Assim, segundo é fácil de concluir, todos os seres vivos respiram na onda do psiquismo dinâmico que lhes é peculiar, dentro das dimensões que lhes são características ou na frequência que lhes é própria. Esse psiquismo independe dos centros nervosos, de vez que, fluindo da mente, é ele que condiciona todos os fenômenos da vida orgânica.
Examinando, pois, os valores anímicos como faculdades de comunicação entre os Espíritos, qualquer que seja o plano em que se encontrem, não podemos perder de vista o mundo mental do agente e do recipiente, porquanto, em qualquer posição mediúnica, a inteligência receptiva está sujeita à possibilidades e à coloração dos pensamentos em que vive, e a inteligência emissora jaz submetida aos limites e às interpretações dos pensamentos que é capaz de produzir. (…) É da Lei, que nossas maiores alegrias sejam recolhidas ao contato daqueles que, em nos compreendendo, permutam conosco valores mentais de qualidades idênticas aos nossos, assim como as árvores oferecem maior coeficiente de produção se colocadas entre companheiras da mesma espécie, com as quais trocam seus princípios germinativos.
Em mediunidade, portanto, não podemos olvidar a questão da sintonia: atraímos os Espíritos que se afinam conosco, tanto quanto somos por eles atraídos; e se é verdade que cada um de nós somente pode dar conforme o que tem, é indiscutível que cada um recebe de acordo com aquilo que dá.
(…) Procederam acertadamente aqueles que compararam o nosso mundo mental a um espelho, visto que refletimos as imagens que nos cercam e arremessamos na direção dos outros as imagens que criamos. E, não podemos fugir ao imperativo da atração: somente retrataremos a claridade e a beleza, se instalarmos a beleza e a claridade no espelho de nossa vida íntima.
Os reflexos mentais, segundo a sua natureza, favorecem-nos a estagnação ou nos impulsionam a jornada para frente, porque cada criatura humana vive no céu ou no inferno que edificou para si mesma, nas reentrâncias do coração e da consciência, independentemente do corpo físico, porque, observando a vida em sua essência de Eternidade gloriosa, a morte vale apenas como transição entre dois tipos da mesma experiência, no “hoje imperecível”.
Saibamos, assim, cultivar a educação, aprimorando-nos a cada dia que passa…
A força psíquica, nesse ou naquele teor de expressão, é peculiar a todos os seres, mas não existe aperfeiçoamento mediúnico sem acrisolamento da individualidade.
Elevemos nosso padrão de conhecimento pelo estudo bem conduzido e apuremos a qualidade de nossa emoção pelo exercício constante das virtudes superiores, se nos propomos recolher a mensagem das Grandes Almas.
Mediunidade não basta por si só: é imprescindível saber que tipo de onda mental assimilamos para conhecer da qualidade de nosso trabalho e ajuizar de nossa direção.
Ajustemos a sintonia de nossa antena mediúnica com os nossos Irmãos Maiores, não olvidando o trabalho perseverante na área do aprimoramento moral e no Bem com Jesus a fim de que tal sintonia seja perenizada pela nossa afinidade com esses Amigos Espirituais que trabalham incessantemente para a definitiva implantação do Reino de Deus no terreno – ainda sáfaro – das Almas rebeldes e recalcitrantes que somos todos nós.
Rogério Coelho
Referência:
(1) XAVIER, F. Cândido. Nos domínios da mediunidade. 12.ed. Rio [de Janeiro: FEB, 1983, cap. 1, p. 16-19.
Nota do Editor:
Imagem ilustrativa e em destaque disponível em <https://www.revistaautadesouza.com/index.php/2020/06/09/energia-e-evolucao-problemas-de-sintonia/>. Acesso em: 05MAI2023.
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