
A caverna da impulsividade primitiva
A fé nos leva a proceder com dignidade nos momentos de testemunhos
“(…) Eu creio, Senhor! Ajuda a minha incredulidade!”
Mc. 9:34.
Justamente por conhecer as vicissitudes a que estamos sujeitos, Jesus conclamou (1): “não se turbe o vosso coração; credes em Deus, crede também em mim”.
O espírita-cristão deverá saber conservar a sua paz, tranquilidade e confiança em Deus em quaisquer que sejam os percalços e espinhos da senda evolutiva, visto que em virtude do nível evolutivo em que ainda nos encontramos e do tipo de planeta em que ainda reencarnamos, estaremos sempre às voltas com deserções, conflitos, perfídias, desarmonias, prejuízos, fracassos, injúrias, calúnias, pedradas, inquietações…
Não obstante, afirma Allan Kardec (2): “(…) aquele que já vislumbrou o horizonte da espiritualidade, deposita fé imorredoura em Deus, na Sua Bondade, na Sua Justiça e Sabedoria. Sabe que todas as vicissitudes da vida, todas as dores, todas as decepções, são provas ou expiações e as aceita sem murmurar”.
Emmanuel adverte-nos (3): “(…) atravessarás – incólume – sombras e lágrimas, tribulações e empeços diversos, se tiveres a coragem de conservar a fé, reconhecendo em todas as circunstâncias, que nada somos, nada podemos, nada realizamos, nada temos e nada sofremos, sem a devida permissão das Leis de Deus”.
Nossa fé, portanto, deve ser inquebrantável e imarcescível em todas as circunstâncias.
Paulo de Tarso deu-nos o exemplo da suprema humildade, perante os desígnios da Providência, e ao render-se incondicionalmente a Jesus revelou à comunidade cristã a sublime qualidade de sua fé.
Assim, quando injunções adversas nos infelicitarem a caminhada, saibamos guardar-nos na fé e confiança em Deus, abandonando a promíscua caverna da impulsividade primitiva que nos levou aos domínios da blasfêmia e despautérios bastas vezes. Elevemos a nossa concepção de obediência aos desígnios de Deus, procedendo com dignidade nos momentos de testemunhos. Mas, seja a nossa obediência construtiva, tal qual a do Apóstolo dos Gentios que escreveu aos efésios (4): “e assim vos rogo eu, o preso do Senhor que andeis como é digno da vocação com que fostes chamados”.
Rogério Coelho
Referências:
(1) João, 14:1;
(2) KARDEC, Allan. O Evangelho Seg. o Espiritismo. 129.ed. Rio: FEB, 2009, cap. XVIII, item 3;
(3) XAVIER, Francisco Cândido. “Mais perto” 2.ed. S. B Campo: GEEM, 1984, p. 25; e
(4) Paulo, Efésios, 4:1.
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