
Diga-me com Quem Andas…
Como diz a cantora Anna Carolina na música “Eu Não Páro”: “Quando eu vou parar e olhar pra mim? Ficar de fora, e olhar por dentro. Se eu não consigo organizar minhas ideias. Se eu não posso. Se eu esqueço de mim?”.
Ficamos à deriva de nós mesmos, sempre procurando fora aquilo que sempre esteve dentro. Fazer essa introspecção é mais difícil que imaginamos, porque estamos há milênios “olhando pra fora”. Isso acontece porque desaprovamos nossa conduta. Somos infelizes com o que nos tornamos, não nos aceitando como realmente somos; infelizes com o que fazemos, devido nossas escolhas, e infelizes com o que temos, pela insatisfação e revolta em ter ou desejar o que o outro tem, então passamos a criar um personagem fictício de nós e vendemos essa imagem aos que estão à nossa volta.
Enquanto em não for desmascarado, eu vou vendendo essa imagem de quem gostaria de ser, mas ainda não sou, e pago um preço altíssimo para manter essa imagem.
Qual o caminho a seguir, então? Bom. Também estou procurando, mas estudos revelam vertentes que “ajudam” a encontrar essa saída, mas o caminho sempre seremos nós mesmos a trilhar.
Ficamos entre o caminho materialista de nos satisfazermos com bens materiais, viagens, dinheiro, compras, tecnologia de ponta dentro de casa, etc., ou com o lado espiritualista da caridade, do perdão, da renúncia, da religião, do você tem que… etc.
Qual desses o melhor? Todos os dois são fuga se olharmos com “olhos de ver”. Porque o materialismo é o caminho e a fuga mais fácil e comum de todos. E o lado religioso também nos manterá à deriva se fizermos tudo isso “para os outros” sem se incluir nessa caridade.
Como assim? A caridade que faço para o outro, vai com o outro. Eu fico com o crédito de ter sido o intermediário. Mas o que isso acrescentou na minha mudança?
A pergunta é: O que aquele ato mudou em mim? Será que eu fiz por fuga? Culpa? Desespero? Troca com Deus? ou aquela caridade que eu fiz foi de uma maneira tão natural a ponto de achar que foi apenas minha obrigação.
Essa é a reflexão que devemos fazer para ver se estamos aproveitando a caridade para mudarmos interiormente, ou se estamos fugindo ainda, barganhando com Deus. Por isso reproduzi a frase do Mestre no início: Diga-me com andas e eu te direi quem és. Qual o tipo de companhia na minha mente? Porque eu tenho o poder de escolha.
Outro questionamento de Jesus nos remete a uma série de reflexão: “Onde está o teu tesouro, ali estará teu coração”.
Vejamos então: Onde está o tesouro do:
Alcoólatra -> bar, bebida, ansiedade em chegar o fim do dia para tomar uma.
Comerciante -> na oportunidade de ganhar dinheiro.
Torcedor -> no jogo. Qualquer grito de gol desperta nele a necessidade de ver.
Pessoa vaidosa -> Vitrine de loja ou julgamento na maneira de como o outro está vestido.
Glutão -> sempre pensando em comida.
Enfim, podemos trocar de trabalho, de marido/esposa, de religião, etc., mas até que não olharmos com mais carinho nosso interior, atrairemos como um imã, as mesmas situações, ou seja, reproduziremos os mesmos comportamentos.
Uma passagem do evangelho que traz o seguinte comentário: “…O mundo está cheio dessas pessoas que tem o sorriso nos lábios e o veneno no coração; que são brandas contanto que nada as machuque, mas que mordem à menor contrariedade; cuja língua se transmuda em dardo envenenado, quando estão por detrás”.
Essa frase precisa passar pelo crivo da razão, e nos perguntarmos: Será que não sou eu essa pessoa? Será que tenho me colocado no lugar das pessoas que sempre julgo? Porque é muito fácil apontar erros, mas passar por cima dos nossos, já é bem mais difícil.
O pensamento é a base da cura ou da doença em nossa vida, por isso importa muito saber “com quem andas”. E os sentimentos são forças construídas pelo pensamento e pela vontade.
Francisco Ortolan
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