
Compulsão Obsessiva
“Ao entardecer, trouxeram-lhe muitos endemoniados e Ele, com uma palavra, expulsou os espíritos e curou todos os que estavam enfermos…”
Quando se fala em compulsão obsessiva, lembramos de pessoas que criam hábitos ridículos, distorcem comportamentos e têm atitudes irracionais, tipo:
• “…se ajoelhar e a beijar a terra nos lugares públicos e na presença da multidão”.
Na atualidade, a psiquiatria define distúrbio obsessivo-compulsivo – DOC – “como um desejo imperioso que cria pensamentos absurdos e embaraçosos, os quais se repetem na mente num ciclo insistente e obstinado”.
É uma doença associada à ansiedade e a uma ideia que constrange o indivíduo a agir de forma estranha ou criar hábitos inexplicáveis que vão desde uma leve interferência até uma subjugação.
• Não passar por debaixo de escadas;
• Evitar cruzar com gatos pretos;
• Abrir guarda-chuva dentro de casa;
• Bater na madeira;
• Coruja cantar em cima da casa.
Dizem que essa compulsão é muito mais frequente do que pensamos, prejudicando desde as pessoas mais sensíveis até aquelas de vida comum. A maioria dos que sofrem de DOC disfarça seus rituais, esconde suas angústias e evita falar sobre seu estranho comportamento.
O subjugado é constrangido a realizar rituais que vêm de pensamentos fixos e sem sentido e passa horas e horas gastando seu tempo com trejeitos – gestos, tiques e movimentos – intensos, absurdos e repulsivos, e vivendo experiências dramáticas e impressionantes. Quase todos afirmam a mesma coisa: “por mais que me esforce, não consigo evitá-los”.
Eis alguns tipos de compulsão:
• VERIFICADORES – examinam portas, luzes, gás, fechaduras, muitas e muitas vezes.
• EXATIDÃO – gastam muito tempo produzindo “simetrias”, incessantes e desnecessárias.
• CONTAMINAÇÃO – preocupação irracional com “germes”, ou “doenças”, que levam a viver fanaticamente. Lavam as mãos ou banham-se incontáveis vezes, demonstrando nojo até de si mesmas, de suas secreções corporais.
• PERFEIÇÃO – é a palavra-chave. Colocar os sapatos no chão alinhados e deixando as duas pontas do cordão extremamente iguais. Suas atitudes e gestos ultrapassam os limites do bom senso.
Essas pessoas vivem uma obsessão de pisar num desenho da calçada. Acreditam alguns, “se pisar errado vai acontecer alguma coisa”.
Outros acreditam que devem entrar e sair pela mesma porta, ou subir e descer escadas várias vezes. Muitos pensam assim: “tenho que atravessar essa porta de maneira certa, senão pode acontecer alguma coisa ruim”.
Resumindo, são muitas as obsessões ou compulsões. As mais comuns são:
• Necessidade de tocar coisas ou pessoas mais de uma vez;
• De engolir a saliva no momento programado;
• De arrumar e desarrumar as malas e as gavetas deixando “perfeito”;
• Medo imaginário de ferir-se;
• Tiques incontroláveis, entre outros tantos.
As pessoas com personalidade compulsiva tendem a ser exageradamente moralistas, extremistas, e a não perdoar a si mesmos nem aos outros.
Alguns pontos vulneráveis que desencadeiam o DOC:
• Dificuldade de expressar carinho ou sentimentos de afetividade;
• Impulsos agressivos – a pessoa não sabe canalizar essa energia para outras atividades;
• Perfeccionismo – a pessoa passa a exigir cada vez mais de si, até a exaustão, extrapolando seus limites;
• Impossibilidade de renovar-se – tem consciência estreita; qualquer novidade, qualquer ideia que questione seus conceitos e atitudes, é para ela um grande desafio;
• Falta de caridade consigo, tipo lazer e prazeres – exagera na dedicação ao trabalho;
• Comportamento inflexível – julga que ceder signifique falta de convicção; por isso, não aceitam as pessoas como são;
• Pré-ocupação – não encara o momento presente. Vivendo a ansiedade de um futuro imaginário.
Se investigássemos a origem e a causa das obsessões – doenças da alma – as encontraríamos em nossos pontos fracos e em determinados comportamentos autodestrutivos que, consciente ou inconscientemente, adotamos.
Temos dificuldade em admitir que somos falíveis, e por si só, isso impede a cura. O primeiro passo é modificar nossos pensamentos e atitudes, isso é, admitir o que sentimos, nos perdoarmos, nos aceitarmos, começaremos o processo de sanidade mental.
“Acreditamos que as coisas e as pessoas é que nos fazem infelizes, mas isso não é verdade – somos causa e efeito de nós mesmos. Não existe fatalismo em nossas vidas, apenas atração e repulsão, conforme nossa sintonia vibracional”. (Hammed)
Francisco Ortolan
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